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Programa ganhou nova dimensão, com mais bolsas, mais dinheiro, mais categorias e um pioneirismo que incluiu atletas-guia e surdos
Quando o professor Marcelo Miranda assumiu a presidência da Fundação de Desporto e Lazer de Mato Grosso do Sul (Fundesporte), em 2015, a convite do então governador Reinaldo Azambuja, o Bolsa Atleta era um programa modesto: 144 bolsas concedidas, com investimento anual de R$ 818,4 mil. Ao longo dos anos seguintes, o programa ganhou novas categorias, ampliou seu alcance e passou a atender diferentes etapas da trajetória esportiva.
Hoje, em 2026, a estrutura é outra: a edição atual contempla 302 atletas e 41 técnicos, totalizando 343 beneficiários, com investimento de R$ 4,3 milhões ao longo de 12 meses, o que representa um crescimento de 138%, enquanto os recursos destinados ao programa aumentaram aproximadamente 425%.
Talvez a transformação mais significativa tenha sido estrutural. Sob a gestão do professor Marcelo Miranda, o Bolsa Atleta deixou de atender apenas atletas estudantis e nacionais e passou a acompanhar praticamente toda a trajetória esportiva, da base ao alto rendimento. Foram criadas categorias que não existiam antes de 2015, entre elas: Universitário, Nacional Paralímpico, Master, Internacional, Pódio Complementar Paralímpico e as categorias de maior valor do programa: Olímpico, Paralímpico e Surdolímpico.
Atualmente, os valores pagos também mostram a dimensão que o programa alcançou. Em 2026, as bolsas variam de R$ 523,10 a R$ 7.323,40 por mês, conforme a categoria. No topo da tabela estão os atletas medalhistas das categorias Olímpica, Paralímpica e Surdolímpica, que recebem R$ 7.323,40. É justamente nessa faixa que estão atletas de alto rendimento como Yeltsin Jacques e Fernando Rufino, referências do esporte sul-mato-grossense e beneficiários do programa.
Para Marcelo, entretanto, os números são apenas uma parte da história. “Quando a gente fala de Bolsa Atleta, não está falando simplesmente de entregar um recurso. Estamos falando de dar condições para que um jovem continue treinando, para que um atleta possa viajar, competir e buscar um resultado. É uma forma de dizer para essa pessoa que o poder público acredita no potencial dela”, afirma.

Um dos pioneirismos foi a criação da bolsa específica para o atleta-guia, profissional que corre ao lado de atletas com deficiência visual, orientando cada passo da prova. Mato Grosso do Sul foi o primeiro estado do país a reconhecer financeiramente essa função, hoje decisiva para o desempenho de atletas paralímpicos de ponta, como o multicampeão Yeltsin Jacques.
Bolsa Técnico: valorizar quem forma o campeão
Em 2017, ainda na gestão de Marcelo Miranda, Mato Grosso do Sul deu outro passo pioneiro: criou o Bolsa Técnico, reconhecendo que o resultado de um atleta depende diretamente do trabalho do treinador. O estado foi o primeiro do país a ter um programa de valorização de técnicos e se tornou referência para a criação de programas semelhantes em outras unidades da federação.
“Não existe atleta de alto rendimento sem treinador. Quando a gente vê uma medalha, existe uma equipe inteira por trás daquele resultado. O técnico também precisava ser reconhecido e valorizado”, explica Marcelo.
Inclusão também para atletas surdos
Já à frente da Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura (Setesc), o professor Marcelo Miranda deu continuidade à ampliação do programa, participando das discussões que levaram à criação de categorias específicas de Bolsa Atleta para atletas surdos.
A medida atende a uma lacuna histórica do esporte brasileiro. Atletas com deficiência auditiva não competem nos Jogos Paralímpicos: eles têm uma competição própria, os Jogos Surdolímpicos (Deaflympics), organizados pelo Comitê Internacional de Desportos de Surdos (ICSD). A alteração da legislação estadual que incorporou novas categorias ao programa surgiu a partir de demandas apresentadas pela própria comunidade esportiva em audiência pública realizada em 2024.
No ciclo atual, as categorias para atletas surdos fazem parte da estrutura do programa, ao lado de modalidades como Nacional Surdolímpico, Pódio Complementar Surdolímpico e a categoria Olímpica, Paralímpica e Surdolímpica.
Ao criar bolsas específicas para essa categoria, Mato Grosso do Sul passou a reconhecer financeiramente um grupo de atletas que, historicamente, ficou à margem de parte das políticas públicas esportivas voltadas ao alto rendimento.
Os rostos do programa: dois campeões paralímpicos
Os números do Bolsa Atleta ganham outro significado quando se olha para os resultados que ajudaram a produzir. Dois dos principais nomes do paradesporto brasileiro da atualidade são bolsistas do programa estadual: Yeltsin Jacques, do paratletismo, natural de Mato Grosso do Sul, e Fernando Rufino, da paracanoagem, natural de Eldorado (MS).
Yeltsin Jacques, da classe T11 (atletas com deficiência visual), conquistou duas medalhas de ouro nos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020 — nos 5.000m e nos 1.500m — e voltou a subir ao lugar mais alto do pódio nos 1.500m em Paris 2024. Fernando Rufino, da paracanoagem (classe VL2), foi ouro em Tóquio 2020 e voltou a vencer em Paris 2024, na mesma prova. Ambos são contemplados pelo Bolsa Atleta, o programa estadual coordenado pela Fundesporte.
O apoio financeiro não explica sozinho o resultado de um campeão, mas ajuda a criar condições para que o atleta possa treinar, viajar, competir e permanecer no alto rendimento. É essa lógica que está por trás da evolução do programa ao longo dos anos.
“Quando um atleta consegue representar Mato Grosso do Sul no mais alto nível, ele leva junto o nome do nosso estado. O poder público precisa estar presente para que o talento não seja interrompido por falta de condições”, finaliza o professor Marcelo Miranda.
Sobre o candidato
Professor Marcelo Miranda é candidato a deputado estadual em Mato Grosso do Sul. É graduado em Educação Física pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), especialista em Treinamento Desportivo pela PUC Minas e mestre pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Foi diretor-presidente da Fundesporte entre 2015 e 2022 e secretário de Estado de Turismo, Esporte e Cultura entre 2023 e abril de 2026.
Fotos: Saul Schramm (arquivo)
Equipe de comunicação Marcelo Miranda
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